terça-feira, 24 de maio de 2011

VERSOS DE MAIO - O MILAGRE DOS PEIXES








Recôndita espécie habita nas profunidades oceânicas
Bem lá  bem no fundo,  em insólito lugar, alguém nem precisa vir à borda para saber o que ocorre na terra dos mortais.
Nas fossas abissais, onde nem sequer a luz solar jamais chegou.
Arabescos, Talmudes, Torás, Alcorões, Bíblias e um sem fim de Sagradas Escrituras jazem alí.
O Cosmos em movimento prossegue enquanto a vida submarina continua absorta.
É abstruso mesmo entender-se o que se passa  naquelas profundezas,
grandes quantidades de cálcio, idênticas matérias da formação metereolítica se encontram lá,
e não adianta metonímia, pois trata-se de exatidão: O mesmo cálcio que vem dos céus se acha nas fossas abissais.

A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais.
Dostoievski


Contudo a vida lá, mesmo sem luz solar, prossegue indiferente, deixando atemporal o que será espraiado.
O espólio debaixo do mar todavia não é inerte, nem latente, ele guerreia sempre.
O instinto inato é nascituro. Perspéctico prepara-se à quinta-essência e a fúria é certa.
A révora é como agulha magnética em busca do mimetismo que será, inevitavelmente, alvo.
Composições prosseguem à tona, enfemérides e congratulações dos pseudovencedores erguidos a custa da mísera vaidade humana soerguida pelo psiquismo sofrível e amedrontado pelo povir da hégira.
Não são as imagináveis ostentações dos obuzes, da força do homem, dos povos; quem ordena o fundo do mar.
A praia prossegue todos os dias em busca dela própria.

Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.
Machado de Assis


O sal da terra e o sal da água juntam-se ao sal das lágrimas.
Onde está o amor?
Os peixes conhecem a humanidade e choram.


Amar e ser feliz é puder estar diante do mar.




Olinda, 12  maio de  2011

  OS PEIXES CONHECEM A HUMANIDADE E CHORAM






IMAGENS PELA ORDEM: 

José Barbosa
Zé Som

VERSOS DE MAIO - A SOLIDÃO




Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.
Victor Hugo 



 













A solidão é a independência e o baque do coração.
Come a bomba-pronta e sua ogiva retrai o estar no mundo.
Meu sentimento torna-se admiração ao sólido dos limites imprecisos.
O que deixamos de ser na densidade noturna. Dissociados não estamos apenas sós
mas sobrecarregados de toda impureza mundana, insólitos e perplexos.
Buscar no íntimo a infinitude múltipla de amar e transpor incongruências na mitologia das cores,
o espectro de indiscerníveis conceitos sob bilhões de astros nos conduzirão sempre ao pó cósmico.


A ausência cura o amor.
Miguel Cervantes

As batalhas do cotidiano não sabemos nem sequer o porquê,
guerreamos incógnitos transes no estopim causados  em profunidades abissais,
carcomendo o interior d'alma,
sem sabedoria?
Sem sentimento algum?
Estamos sós.
É do fundo do poço donde somos mais amados.
Fica a última instância  da capacidade incomensurável que temos para amar...
Virei um mosteiro.



Olinda,  11 de maio de 2011




               

segunda-feira, 23 de maio de 2011

CRÔNICAS DA AUTOBIOGRAFIA





DJALMA GOMES DE LIMA  e MARIA DIRCE CAVALCANTI DE LIMA - Meus Pais

          Meus pais nasceram em Garanhuns, cidade localizada no Agreste Meridional de Pernambuco, no Nordeste brasileiro. Também conhecida como "Cidade das Flores" ou "A Suiça Pernambucana" devido seu clima ameno no verão e temperaturas baixas no inverno, situa-se no Planalto da Borborema, região montanhosa, tendo Altitude média de 900m. Atualmente conta conta cerca de  130.000 habitantes e fica a 228 Km de distância da capital Recife.











                                                                Desde criança quando escutava o som do carro de boi se aproximando eu corria para rua e pulava em cima, montava e subia as ladeiras daquela cidade serrana, me sentia um príncipe no meio do povo e assim também era tratado com  simplicidade. Dormia sempre as noites mais escuras no meu quarto, na casa feliz dos meus avós, a noite vinda daquele telhado tão alto, era tão escura que pensava estar cego, meu sono era acompanhado pelos "sonhos em voz alta" do meu avô, ele falava de tudo: onças-pintadas, jaguatiricas,  saguins e outros macacos pulavam de todos os lados, muitos animais perigosos, emboscadas, mencionava pássaros, falava de arremedos, de tocaias, de encontros com cangaceiros, jararacas, caninanas,  jogos de azar... enfim era  uma verdadeira narrativa sertaneja cheia  de figuras próprias; invariavelmente um "mosaico" narrado pelo monólogo de vovô de infinita realidade do mais genuíno imaginário popular do nordestino brasileiro.



                Amanhecer o dia de paz era lindo: o meu louro...botar a bolacha molhada com leite p'ra ele. Ir escovar os dentes no quintal, levando a escova e um copo com água pela metade. No comprido quintal, de fato era uma extensa língua de  terra onde havia uma enorme uma plantação toda suspensa de chuchu debaixo de muitos pés de mamão, havia pés de laranja,  pés de fumo, enxame de abelhas uruçu, uma pequena horta em seus leirões,  o "caco" ao fundo e lá trás o chiqueiro onde sempre eu levava a "lavagem" para os porcos.  Via meu avô sentado no banco da cozinha sempre colocando os chaninhos(gatos) no colo e com todo amor ficava coçando a cabecinha deles.  As galinhas de capoeira esperando o milho. Minha avó já cedo na cozinha iniciava seus guisados, ela  era só-amor, Vovó Maria.



            Íamos para feira livre todos os dias, eu e meu avô, sempre acompanhados de perto por Rex, um cachorro incomparável. Eu ajudava meu avô a vender e  comprar: feijão, farinha e milho. Naquele tempo os cereais eram vendidos pelo sistema de Litros,  apenas muito tempo depois é que chegaram as balanças com os pesos de quilogramas. Na feira se utilizava os Litros feitos de estanho, que vinham estapamdo com a inscrição 1 Kg, ou 1/2 Kg. O  povo do sítio comprava farinha quebradinha ainda quentinha, pedindo uma "cuia" (15 kilos) ou "1/2 cuia" ou "dois litros de feijão".


            Meu avô, a decência em pessoa,  sempre com sua bela capanga, usada em diagonal,  toda bordada em couro de cores singelas, sempre vestido de casaco na cor cáqui (terno masculino de grosso tecido de brim que serve de agasalho), às vezes tirava de um bolso um par de pedras e enfiava a mão no outro bolso sacando um pequeno terminal de chifre, na verdade uma ponta de chifre com uma tampinha também de chifre, entrelaçadas as duas partes por um cadarço feito de couro, dentro havia um capucho de algodão "in natura", daí num ato mágico ele lascava uma pedrinha na outra e a faísca ia bem em cima do algodão e prontamente iniciava-se uma pequena combustão;  acendia o cheiroso cigarro, era o próprio  "isqueiro dos Flinstones", meus olhos ficavam fascinados. Ele também  gostava de cheirar tabaco(rapé), muitas vezes ele incensava a casa com aquele perfume ao preparar o pó, fazia  aquilo usando uma quenga de côco e sob o fogo brando ia colocando os ingredientes que tirava das gavetas de um velho birô,  abarrotadas de tudo que se pode imaginar, e ia torrando e pilando, vovó às vezes falava "esse torrado ainda acaba com Floro", quando ele tomava um porre, haja espirro!


            Mas eu amava sair todas as noites segurando o braço de Papai Floro, íamos tomar um cafezinho e sempre queimava meu bico  no Café Íris, na Av. Santo Antônio. Assistíamos aos domingos no Cine Jardim,  as matinês, comprávamos bombons de menta na entrada, íamos ver os filmes de Far West. Quando o mocinho botava prá efe, nossa! O cinema quase vinha abaixo pela matutada que torcia com voracidade batendo os pés no chãos, como se estivesse ao vivo participando daquilo tudo, aplaudia e vaiava com todo vigor e franqueza. Ao lado do cinema, na praça Dr. Jardim  sempre tinha aquela meia-dúzia de lambe-lambes, era engraçado ver aquele povo se arrumando, passando as mãos úmidas de brilhantina  no cabelo, diante de pequenos espelhos, se preparando para tirar um "retrato". Certa vez fui tirar uma fotografia dessas, eu  já adolescente  tinha aquele princípio de bigode, achei por bem ir em casa e passar a gillette e prontamente voltei para fazer a fotografia, quando fui buscá-la fiquei pasmo,  estava de bigode! Reclamei a Zezinho  o lambe-lambe,  ele com naturalidade disse: Eu retoquei e achei que você fica melhor de bigode - é a pedida do momento!




            Subia e descia as ladeiras por entre todos tipos de coisas próprias das feiras: Tatús-Bola, Alfinins, gente vendendo caixa de fósforos e alho, querozene "Jacaré" em lata, etc.etc. Os fretes buscavam seu espaço de passagem dizendo  "óia o pesado!!!"  Era uma verdadeira  meca aos sábados: Jipes, Pickups, muitos carros-de-boi, algumas lambretas, cavalos, jegues. Os burrinhos carregando água que vinha da Serra Branca, águal mineral de  finíssima qualidade. O leiteiro trazia na cabeça aquele estranho  artefato  feito de flandre, sempre tinha um paninho bem enroladinho  para acolchoar a cabeça, a tampa da coisa  ao virar de cabeça para baixo tornava-se o funil, na sua chegada dia sim dia não, corríamos à porta com a vasilha apropriada para o leite.

             Meu avô sempre manteve um cofre em casa, dentro do seu quarto, às vezes tinhámos que dar uma forcinha para puder fechá-lo, principalmente depois que,  juntos contávamos e organizávamos o dinheiro do "apurado".  Papai Floro, aprendí desde cedo chamá-lo assim mas seu nome civil era Florentino de Souza Cavalcanti, ele  amava caçar, em casa sempre teve seu "arsenal"  junto com os "embornás". Ajudava vovô a recarregar os cartuchos, era uma liturgia, usar o extrator para retirar as  espoletas já usadas  dos cartuchos de latão, de vários calibres: 22,  28 ou  32,  medir a pólvora, medir o chumbo,  fazer as buchas com papel rôxo que eram usados nas embalagens de maçãs vindas da Argentina, depois encher os cintos de couro apropriados para levar o "carrego". Foi não foi, comíamos a caça que vovô trazia: rolinhas, anús e outras caças. Vovó fazia bem assadinho.


Nostradamus

           Vovô era vaidoso e gostava de pintar o cabelo(ele próprio retocava com tinta discreta). Fazia a barba com uma maestria utilizando-se de uma navalha bem guardada numa caixinha especial junto com uma pedra retangular de especial material que servia para amolá-la; depois passava bastante álcool na face. Não lhe faltava um bom  relógio de pulso, e à noite usava seu impecável chapéu Prada de feltro.  Beber para ele era algo muito especial, em raras ocasiões pedia uma  cerveja preta. Gostava de encontrar os amigos e um das suas conversas prediletas era falar sobre Nostradamus e Júlio Verne, ele ía fundo.



            Da nossa casa ouvíamos os sinos da Matriz chamando seus fiéis. Morávamos lado a lado de uma torrefação de café, o movimento dos caminhões trazendo o café tipo exportação ainda verdinho. Os carregadores faziam aquela engenharia toda para amarrar a carga sob a lona, cargas  que decerto  partiam para longe. Sempre perfumava o ambiente a torrefação, e na frente da casa os grãos de cafés se espalhavam.
  


   
         Três casas abaixo havia uma família de músicos, uma verdadeira orquestra, na verdade era a família de Toinho que tocava no Quinteto Violado, alí sempre embalavam sons, músicas, e claro, acabava sempre no forró, por alí passaram grandes nomes da música nordestina, como: Mestre Chicão, Manuel Maurício, Zé Calixto, Geraldo Correia, Pedro Sertanejo, Abdias, Gerson Filho, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e tantos outros,



      
MARIA TELES CAVALCANTI - Minha Avó





domingo, 1 de maio de 2011

OS MAIORES PROBLEMAS BRASILEIROS DA ATUALIDADE




                A CORRUPÇÃO E O BEM PÚBLICO


               

                O Brasil ocupa a 80ª posição no Índice de Percepção de Corrupção(IPC), editado pela ONG  Transparência Internacional, com sede em Berlim, entidade que visa o combate do mal uso do dinheiro público. Foram avaliadas 180 nações em 2008, dando-lhes notas de zero(muito corrupto) a dez(livre de corrupção), tendo nosso país obtido a nota 3.5(três e meio).
                Entre os países menos corruptos figuram: Dinamarca, Nova Zelândia e Suécia que dividem o 1º lugar, com a nota 9.3, seguidos de Cingapura com nota 9.2. Na parte oposta: Somália com 1.0, Iraque e Miammar com 1.3 e o Haiti com 1.4.
                 A corrupção draga o bem público, não há quantificação dos valores que a corrupção desvia do que deveria ser destinado: o bem comum.     Resulta na distorção social, na miséria, em violência, desfaz a nação, gera o tão falado: salve-se quem puder. Ao invés de transformar nossa realidade em prosperidade. A corrupção cria o ápice do absurdo: a produção de todos esvai-se pelo esgoto.                   






                      A EDUCAÇÃO E O ENSINO PÚBLICO



               O Brasil ocupa a 67ª posição no Índice de educação editado pela ONU, ocorrido em 2009, com dados de 2007.  Merece destaque que ficamos atrás dos seguintes países sulamericanos: Bolívia(63), Chile(48), Venezuela(46), Argentina(37) e Uruguai(31).  Austrália, Finlândia, Dinamarca, Nova Zelândia e Cuba, ocupam o 1º lugar no ranking, seguidos de:  Canadá, Noruega, Coreia do Sul, Irlanda, Holanda e Grécia.
                A Educação é um componente muito importante para avaliar se um país é desenvolvido ou não. Essa área é fundamental para o amanhã, é o principal instrumento do processo civilizatório. Poderíamos fazer qualquer debate sobre a realidade brasileira, mas inevitavelmente vamos girar o assunto em torno da Educação, como ponto de partida. A falta de mobilidade educacional também é um problema entre as gerações, no Brasil a escolaridade dos pais influencia em 55% o nível educacional que os filhos atingirão. A Escola Pública não tem sido consagrada no seio do povo brasileiro como prioridade, do mesmo modo  os  interesses públicos também não lhe conferem sua essencialidade.


                O CRIME ORGANIZADO


QUEM FORNECE AS ARMAS PARA O CRIME ORGANIZADO
                 
                A contaminação da máquina estatal pelo crime organizado, através do tráfico de influências. A Máfia do Colarinho Branco composta de várias quadrilhas formadas por autoridades legais. A lavagem de dinheiro, o tráfico de armas, o tráfico de drogas e de pessoas humanas. A atuação criminosa de milícias ilegais compostas de grupos paramilitares, tudo isso juntamente com outras formas extremamente perigosas,  atuando em diversas áreas, com muitas ramificações, inclusive internacionais.
                O crime organizado faz o embate: Estado Democrático x Estado Criminal-Comercial.



                AS REFORMAS URGENTES




                 FISCAL

                Ninguém conseguiu até hoje fazer um cálculo demonstrativo do "efeito cascata" causado pelo acúmulo de impostos em nosso país, a grande quantidade de impostos em diversos níveis de abrangência: União Federal, estados  e municípios. Sabe-se em estudos comparados, que a carga tributária plausível gira em torno de 15% a 20%, todavia as pesquisas pertinentes provam que no Brasil tem se sido, algo em torno de 50% de impostos.
                A fúria tributária e o sobrepeso da incidência fiscal, gera desfavorecimento "erga omnes" e alimenta o gigantismo do Estado, mas o maior dano se reflete na produção(o empresariado sobrecarregado de impostos); na geração de empregos, por conseguinte, no aumento da miséria da população.
                Outrossim, o Estado brasileiro em todas sua esferas presta serviços públicos de baixa qualidade.
                O sistema tributário brasileiro é injusto, um exemplo bem claro; quem ganha até 2 salários-mínimos paga em média 48.8% de impostos sobre sua renda total, já para quem ganha mais de 30 salários-mínimos, paga em média 8.4% de impostos. Destarte, as alíquotas para tributação são bem distorcidas, por exemplo,  paga-se 27% de imposto estadual(ICMS) em diversos produtos de higiene.
                Outro problema enorme, a burocracia. Uma infinidade de normas, uma infinidade de procedimentos tributários. Onde há burocracia, há corrupção. 






             
               POLÍTICA


                A indicação de uma cirurgia, no caso brasileiro, é imediata e inadiável, sob o ponto de vista da legimidade e da estabilidade. A democracia brasileira precisa se aprofundar na representação da vontade popular.
                Reforma eleitoral; financiamento de campanha, regras para suplência, filiação partidária e coligações, voto facultativo, etc, etc. São os principais temas a serem amplamente discutidos. Precisamos ser práticos.


            JUDICIÁRIA


                O Poder Judiciário é hermético, diferentemente dos outros poderes: Executivo e Legislatvo. Já está no tempo de, pelo menos, seus dirigentes terem o crivo de um referendo, seja pelo voto popular, seja pelo voto colegiado realizado por seus membros magistrados. O Judiciário precisa atender aos anseios da sociedade brasileira. Eficácia na prestação jurisdicional, celeridade e credibilidade são aspectos fundamentais da reforma judiciária.


                AGRÁRIA

                A grande concentração de terras no Brasil se deu a partir das Capitanias Hereditárias, das Sesmarias, e durante o processo de Independência ocorreu com uso da força. 
                A Reforma Agrária se arrasta desde a década de 1960, sem contudo ter modificado o quadro latifundiário. No Brasil 50% das terras pertencem a 1% da população. A Constituição de 1988 garantiu a redistribuição das terras improdutivas. Quando a sociedade brasileira entender o papel social da terra, aí sim, poderemos avançar com o tema da redistribuição da terra para realização da sua função social.




           ADMINSITRATIVA


                O gigantismo do Estado brasileiro é um problema antigo, e a centralização de poder idem. O modelo administrativo é obsoleto, é imprescindível modernizar a estrutura administrativa brasileira, principalmente pelos aspectos da inoperância que resultam da falta de atualização.  O Estado brasileiro precisa de adequação a nova realidade, diminuindo suas atribuições, objetivando o controle eficiente das funções públicas.
                O funcionalismo público deveria ser absolutamente formado através de concursos públicos,  e como critério para aprovação; além do conhecimento específico, seria imperioso ter-se a habilidade para o trato da coisa pública. A enorme quantidade de cargos de confiança traduz-se num abuso aos cofres públicos, são 22.897 cargos gratificados sem necessidade de concurso, apenas no Poder Executivo federal, com uma despesa anual de R$ 1,2 bilhão. Some-se a isto, todos os cargos comissionados em todas as esferas da adminsitração pública. Até quando?




                A DISTRIBUIÇÃO DE RENDA



                     O Brasil tem a 2ª pior distribuição de renda do mundo segundo o Índice Gini, que mede a desigualdade de renda em valores de 0(igualdade absoluta) a 1(desigualdade absoluta). O índice do Brasil  é de 0.60, sendo superado apenas por Serra Leoa(0.62).
             Os maiores obstáculos gerados são: Miséria, falta de acesso da população aos serviços básicos e de infraestrutura, baixa renda, falta de habitação, rede de ensino público em péssimas condições, carência de um transporte público de qualidade, etc. etc.
              Sempre existiram pobres e ricos na História, entretanto  a distância entre eles nunca foi tão grande.  Distribuição de renda não é dar esmolas ao povo, nem tampouco exercer o papel de estado paternalista. 
               Precisamos fazer justiça social, através de mecanismos legais e legítimos; fazer ajustes fiscais(por fim na fúria de arrecadação) favorecendo os menos privilegiados; fazer o planejamento eficiente de aplicação dos recursos arrecadados(investimentos de infraestrutura, na saúde, habitação, na educação pública, etc. etc.).

            
                A  FOME  ESPIRITUAL





               A proliferação de igrejas fora dos cânones, a falsa moral e o proselitismo, além da utilização indevida  dos meios de  comunicação de massa, afora inúmeras "bancadas políticas"  que conduzem a população a uma  desvirtualização  dos verdadeiros princípios religiosos, contribuindo para massificação do nosso povo,  desse modo deturpando o princípio constitucional de liberdade religiosa, em suma, não há critérios preestabelecidos que  regulamentem a atividade com idoneidade.
                O neopentecostalismo, o pentecostalismo autônomo ou agências de cura divina, se caracterizam pela "comercialização" que defendem o espírito pragmático de um mundo amoral e sem Deus, essas igrejas estão adotando métodos e técnicas de lavagem cerebral através de bens simbólicos, bens valendo mais do que caráter. O movimento evangélico sério e a sociedade brasileira sofrem os transtornos do neopentecostalismo, e este deixará sérias consequências  na história das Teologias e na própria vida cristã.
                A igreja católica também tem sido alvo de críticas há décadas, sobretudo pelo fato da massificação como trata seu rebanho. Novas denominações católicas caminham contra os cânones deformando a filosofia correta.



                   A VIOLÊNCIA

Mapa da violência no Brasil


                A violência é uma resultante.  A História do Brasil bem demonstra as inúmeras razões que explicam por que a violência atingiu os níveis em que se encontra, resultante de inúmeros fatores, entre eles, um Estado caracterizado pelo autoritarismo burocrático, recentemente a Ditadura Militar deixou a marca indelével da própria brutalidade com o trato da coisa pública. A violência conta com a conivência de grupos policiais e  de representantes dos Poderes constituiídos. A injustiça e a impunidade, o desrespeito  e o mal exemplo que as classes privilegiadas dão  todos os dias, a concentração de renda, a falta de emprego, a exclusão social, a falta de acesso à saúde; à habitação e à educação, a forma desordenada com que as cidades  cresceram(causando a miséria urbana), devido à rápida mudança decorrente do êxodo rural, as fortes aspirações de consumo oriundas da pressão exercida pelo consumismo reinante, afora a alienação decorrente da falta de interesse social em promover um desenvolvimento social verdadeiro, são as principais causas que geram a violência no Brasil  em patamares que se confundem com  o conceito de Guerra Civil. Afinal de contas, em uma década, mais de meio milhão de vidas foram ceifadas pela violência no Brasil.



                O SILÊNCIO DOS INTELECTUAIS




"Os intelectuais surgiram historicamente no e pelo ultrapassamento da oposição entre a cultura pura e o engajamento. São por isso seres bidimensionais. Para invocar o título de intelectual, os produtores culturais precisam preencher duas condições: de um lado, pertencer a um campo intelectualmente autônomo, independente do poder religioso, político, econômico e outros, e precisam respeitar as leis particulares desse campo; de outro lado, precisam manifestar sua perícia e autoridade específicas numa atividade política exterior ao campo particular de sua atividade intelectual. Precisam permanecer produtores culturais em tempo integral sem se tornar políticos. Apesar da antinomia entre autonomia e engajamento, é possível mantê-los simultaneamente. Quanto maior a independência do intelectual com relação a interesses mundanos, advinda de sua mestria, tanto maior sua inclinação a asseverar essa independência, criticando os poderes existentes, e tanto maior a afetividade simbólica de qualquer posição política que possa tomar" ( BOURDIEU. "The corporation of the universal: the role of intelectuais in the modern world". Telos, 1989, n. 81, p. 99).

                 No Brasil, os intelectuais sempre se mostraram importantes; primeiro, através da literatura. No século 20, quando responsáveis pela formulação do Estado brasileiro, seguiram o modelo dos autoritários clássicos.
            Nomes importantes da intelectualidade latino-americana entraram em armadilhas, apenas para exemplificar: é o caso da Profª e filósofa Marilena Chauí porque é militante de um partido político, não disse o que deveria dizer. O intelectual que se partidariza condena-se ao silêncio, como ocorreu com  FHC porque seu compromisso com a militância fez fatalmente contaminar seu compromisso com a verdade.
                Afora os intelectuais que estão sendo silenciados pelos que controlam os espaços de comunicação.
                   Com o silêncio da Inteligência brasileira o povo fica  órfão de ideário. Os pensadores brasileiros precisam de seu espaço  condigno e reconhecimento público.

 
                
A DEMOCRACIA TÊNUE



                 Nossa democracia ainda se encontra em plena construção, nos últimos anos predominou o Populismo em quase toda América do Sul. Temos uma democracia onde  votar é um dever e não um direito, os que defendem a obrigatoriedade do voto argumentam que ainda não temos emancipação política suficiente, isto é um ledo engano porque  resulta em urnas cheias, ou seja, perde-se a essência em termos de legitimidade, o voto se tornou fácil para a classe política. 
                O país tem sido governado por Medidas Provisórias, na verdade uma cópia dos Decretos-Leis de governos  ditatoriais  recentes, invariavelmente ferindo princípios jurídicos básicos. O Legislativo é o poder mais importante da Democracia, entretanto temos uma população absolutamente descrente, a imagem do parlamento e dos parlamentares se degrada, associada à inoperância, oportunismo e corrupção. Numa análise mais profunda vivenciamos uma ditadura democrática, na falta de cidadania, sobretudo porque: "Só é cidadão quem ganha justo e eficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa"(Weffort).
               

               
O MEIO AMBIENTE
                

                Nossa maior riqueza encontra-se na fauna e na flora, muito foi feito em favor da ecologia, entretanto, diante das nossas dimensões continentais, ainda é muito pouco em termos de preservação. 
                    A melhor lição vem dos povos nativos do Brasil, antes  chamado Pindorama, eles sabem da importância da conservação da natureza. Somente com um processo intermitente de aperfeiçoamento do sistema público de educação é que poderemos construir uma conscientização para  tratarmos da melhor  maneira o futuro do nosso tesouro natural.    


"Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados" Prov. 31,8











 BIBLIOGRAFIA



Francisco Weffort,     Qual Democracia? - Companhia das Letra, 1992.
Hélio Jaguaribe,     Brasil Sociedade Democrática - José Olímpio, 1985.
Ignácio Rangel,    A Problemática Política do Brasil Contemporâneo - Civilização Brasileira - 1979.
Tulio Halperin,      História da América Latina - Paz e Terra, 1974.
William H. Overholt,     The Future of Brazil - Westiview, 1978.
Florestan Fernandes, Universidade Brasileira - Editora Alfa-Omega, 1979.