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terça-feira, 31 de maio de 2011

CRÔNICAS DA AUTOBIOGRAFIA - SEGUNDO CAPÍTULO

Maria Dirce Cavalcanti de Lima - minha mãe




           Me lembro como hoje, estava brincando com algumas ferramentas velhas do meu avô, precisamente com um martelo e alguns pregos enferrujados e, na tentativa de fazer um "carro de mola" a partir de uma lata de óleo vazia, foi quando de repente me dei conta: cadê o prego que estava justo na minha mão?!? Sumiu!!! E minha prima Maildinha viu aquela cena, eu era bem pirralho,  e não deu outra! Veio à tona nossa paranoia: Você engoliu o prego! Gritou Maildinha. E a correria foi grande, ela me pegou e me colocou no colo a atravessou a avenida principal da cidade, muito aflita ela repetia sem parar: Minha Nossa Senhora! Logo logo chegamos na Clínica do Dr. Giovani, meu tio médico. A atendente e enfermeira Ambrosina foi logo me colocando na sala de tio Giovani, de certa forma era sempre encantador ingressar naquela atmosfera médica, especialmente numa cidade do interior, alí foi instalado o primeiro aparelho de Raio X da região, era coisa do outro mundo, fazer uma "chapa" como falavam os matutos. Havia no birô de titio aquela peça de vidro que serve de peso para os papéis não voarem, me chamava atenção o artefato transparente oval e cheio de cintilantes cores em meio ao escrito DR.  GIOVANI GOMES DE LIMA - ClLÍNICO GERAL Sempre,  todas as vezes que estive ali fui recebido com alegria e carinho. Artigo número um dos exames: testar os reflexos. Titio usava aquele martelo da cabeça redonda de borracha verde (um pouco dura a borracha) e mandava: sente-se... deixe as pernas bem soltas, e téin! Dava uma marteleda e daí era aquele pontapé, ele sorria e asseverava: tá bom, muito bom. Então pegava o estetoscópio colocava na altura do coração, auscultava. Depois mandava dizer: diga 33... novamente diga 33, soletrava bem devagar 33. Bom, o prego engolido não passou de  uma "viagem no molho do sarapatel". Graças a Deus!



          À respeito de  Maildinha preciso contar uma ocorrência, na verdade foi uma "trela" que fizemos juntos, eu e meu irmão Júnior, nossa prima era colegial e nós éramos ainda crianças. Meu irmão inventou de colecionar selos, sim virou filatelista da noite para o dia, e Maildinha tinha muitas cartas muito bem guardadas no  seu guarda-roupas. Meu imão então fez um plano para "roubar" as cartas, ou melhor, os selos(só interessava os selos mesmo. Ele desenvolveu uma "técnica" e chamava-se "tirar no bafo", colocava o envelope próximo de uma chaleira com água e na medida que ia fervendo  a água e subindo o vapor ele aproximava a carta da "fumaça" e logo logo o selo despregava). No plano eu fiquei encarregado de ser o "olheiro" e combinamos o seguinte: Se viesse alguém,  eu  lá do corredor emitiria  um sinal  de alerta que chamávamos de "qui-quit" daí ele  prontamente ele "abortava" a ação e disfarçava. Aconteceu que dentro do guarda-roupas da nossa prima; como era  muito escuro ,  meu irmão também inventou de acender uma vela para ver se achava as cartas; não deu  outra... o incêndio comeu o guarda-roupas  e mais algumas peças do quarto de Maildinha.   



Vovó Nazinha, meu pai e minha irmã Fátima


          A casa da minha avó paterna NATÁLIA FLORENTINA DE LIMA, ou simplesmente D.Nazinha como era conhecida na cidade, ficava bem ao lado da clínica de tio Giovani, numa localização privilegiada, bem em frente à Prefeitura de Garanhuns (hoje é um hotel  de 4 andares, sendo uma farmácia embaixo.  E onde  funcionava a clínica médica do meu tio, ao lado na esquina, atualmente  é um restaurante).  A casa de Vovó Nazinha era encantadora e tinha aspectos inesquecíveis, especialmente para uma criança relembrar, coisas como o cheiro da  casa por exemplo. A  limpeza era impecável.  Nunca fui na casa de vovó para  não ter o sabonete Phebo no banheiro social para lavarmos as mãos. Quartos com móveis lindos, esses que misturam madeira de lei com pedra alabastro. Os Oratórios da casa chamavam atenção. A cozinha era demais! Nunca fui na Itália, mas tinha algo de italiano alí... tinha ares da imponência e reminiscências dos tempos da opulência rural. Casa grande que ía de um lado a outro do quarteirão.


A casa de vovó ficava extamente nessa localização

          Minha vó tinha o costume de ficar sentada na varanda, especialmente aos domingos, usava uma almofadinha para apoiar o braço na janela, fazia questão de cumprimentar a todos que passavam. pela calçada. Vovó Nazinha nunca estava de mãos vazias,  quando chegávamos ela logo corria trazendo finos chocolates.



A feira de Garanhuns naquela época
           Ela também tinha um costume muito bonito, todos os dias de sábado, quando acontecia a   feira livre atraindo muita gente de todas as cidades  circuvizinhas: Vovó colocava na calçada, em frente à sua casa, duas jarras grandes com água mineral e ficava sentada  num banco,  com um caneco de aluminío na mão oferecendo água para quem quisesse matar a sede, qualquer um, ela não fazia distinção de classes, isto era uma marca registrada de Vovó Nazinha.  Foi uma grande lição: ainda hoje não sei negar um copo d'água a quem quer que seja. Vovó tinha um amor incomensurável, gostava quando meu pai me pedia para  eu "dançar gafieira" em plena sala principal da casa, quanto mais gente tivesse como plateia melhor o "show", eu gurí fazia uns passinhos na sala e jogava a perninha pra cima, vovó morria de rir. Ela adorava pegar minhas mãos, olhava, olhava, e decretava dizendo: mãos de cirurgião!


Na casa da fazenda ver-se o Ford 1928 na garagem

Meu avô paterno POSSIDÔNIO GOMES DA SILVA comprou um Ford "bigode" em 1928, o carro foi para Garanhuns de trem porque não havia rodovia que ligasse   a cidade à capital Recife. O gasolina se comprava de lata e meu avô mandou fazer uma estrada dentro da  sua propriedade rural. Dizem que naquela época em Recife, só tinha 2 automóveis e eles bateram no Derby! Contam que aconteceu aquele "vacilo" ao se defrontarem num cruzamento, quando ambos deram a arrancada de  uma só vez...pô!

O Fusca era exatamente assim
       

          Tenho grandes recordações do meu pai, homem singular DJALMA GOMES DE LIMA , filho caçula de uma família de um total de 10 filhos, sendo 5 homens: Gerson, Arnaldo, Giovani, Augusto e 5 mulheres: Naci, Neuza, Nice, Isaura e Tereza. Me lembro bem quando eu tinha cerca de 5 anos(a memória retida infantil naqueles tempos, no interior  cheio de tranquilidade,  me parece que era mais apurada) quando papai comprou um Volkswagen zero km, ano 1964.  Fomos para Lagoa do Ouro(era praticamente uma vila, a rua principal de barro batido), os matutos e os meninos dali ficavam horas observando o "bólido"(como diriam os portugueses), observando o automóvel "moderno", aquilo chamava atenção. Às vezes íamos para fazenda e papai me levava na garupa do cavalo, ele tinha o costume de sempre levar consigo uma bolsinha contendo um pouco de açúcar e uma latinha pequena de Nescau, assim como um caneco grande de alumínio, ele preparava algo muito original: um certo "milk shake" de chocolate da hora! Colocava o açúcar na caneca e adicionava o Nescau,  e  ordenhava uma vaca leiteira que estivesse em pleno pasto,  fazendo que o jato já fosse direto no "preparado",  nem precisava mexer, ficava uma delícia! Um achocolatado morninho e espumante  na hora!


Fazenda Cacimbas - meu pai




           Meu pai era extremamente tradicional, não falava de política, amava assitir o Repórter Esso todos os dias às 20:00h,  quando tocava aquela musiquinha da vinheta; não tinha apelo: hora de dormir!(provavelmente para não atrapalhar a concentração no noticiário),  por falar em TV eu "viajava" naquelas válvulas enormes  que mais se pareciam um "candeeiro" bem lento, era uma "data" para  ligar  a TV e aquela coisa aquecer  até aparecer a imagem. Todas vez que ele me encontrava; eu pedia a benção, nós trocávamos um beijo na face, e ele não lagava minha mão enquanto não terminasse de proferir bem baixinho no meu ouvido as seguintes palavras:















Papai numa das fazendas da família nas vizinhanças de Garanhuns - PE.
   
          A vida inteira papai carregava consigo: em primeiríssimo lugar; "sua excelência  a carteira de  cigarro " e o fósforo, um lenço, um pente, um espelhinho daqueles redondos pequenos,  colírio e não faltava dinheiro trocado no bolso. Tinha altas manias, por exemplo: sempre usou Leite de Rosas como desodorante, sempre usou Trim para pentear o cabelo, sempre consumiu Nescafé (desde que lançaram o produto), o café solúvel era justamente para evitar qualquer possibilidade dele não tomar café, quer dizer: podia faltar tudo...menos o cafezinho e o cigarro.  A única coisa que ele sabia fazer na cozinha era fritar ovos "mexidos", nisso era especialista, nunca ví igual. Se porventura não tivesse café pronto na garrafa térmica (ele tomava, pelo menos três por dia), aí entrava em ação a alternativa: o Nescafé. Simplesmente, ele ia no banheiro, já levando consigo uma xícara grande com açúcar e o pó do café granulado já dentro,   então ele ligava o chuveiro Lorenzetti(daqueles "das antigas" de metal mesmo, todo blindado) no ponto "inverno" e abria a torneira no mínimo...começava o túmmm do chuveiro a água fumaçando ia pingando; era só aparar a água "pegando fogo" e pronto! Eu gostava de vê-lo dando umas risadas(ele era mais para  o tipo "zangado"), então eu "debochava" quando ele permitia,  lógico. Eu falava assim: papai eu já sei seu último pedido quando  o senhor estiver para receber a Extrema Unção e disserem : faça seu último pedido... "dois dedinho" de café e um cigarro no bico...ele morria de rir!!!









Fotografia  da  Formatura em Medicina Veterinária






IMAGENS PELA ORDEM:


Di Cavalcanti
José de Barros
Frans Krajcberg
Cícero Dias

Um comentário:

  1. Meu amigo,gostaria q vc entrasse em contato comigo,ou me desse algum jeito de entrar em contato com vc,pois lendo essas Historias sobre seu pai o p mim tio Djalma,fiquei emocionado em ver e ler certas passagens do testo. Estava procurando no google algo q me falasse da Historia do meu querido avo Giovani Gomes de Lima,e me deparei c seu testo,fiquei super emocionado e querendo saber mais e mais,por isso peço q entre em contato por favor p q possamos falar sobre tudo q vc tem de memorias de sua epoca,fotos q vc deve ter e tudo q me ajude a aprovar um projeto q tenho em mente de levar a camara de vereadores de Garanhuns com um Historico sobre o cidadao e medico Giovani Gomes de Lima. obg. jeronimojeu@hotmail.com

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