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terça-feira, 24 de maio de 2011

VERSOS DE MAIO - A VIDA E A MORTE

 




Talvez a morte tenha mais segredos para nos revelar que a vida.
Gustave Flaubert




"Todos os caminham levam à morte. Perca-se"
Jorge Luis Borges
          Mistérios, muitos mistérios...A Humanidade vive em imersão mística, tudo é mistério. Lendários sábios buscaram as razões e explicações há cerca de tantos mistérios e sempre tudo permaneceu exatamente como sempre intraduzível, envolto em  misteriosa redoma opaca. Realmente quase todos sabem que é dissoluta  nossa vida  diante do Cosmos. Filosofias,  Religiões, Estados Laicos e uma infinidade de Cientistas, em vão tentaram expor suas múltiplas teorias... em vão. A inaceitação do Homem diante da sua condição de mero ser vivente,  não o convence. O primeiro e grande baque ocorreu quando Copérnico e Galileu provaram que a Terra já não era o centro do Sistema Solar, consequentemente o Homem deixou de ser o "centro do universo" e mesmo desde os primórdios  nosso Complexo de Inferioridade é devido à nossa tíbia pequenez diante dos acontecimentos naturais, e ficamos estupefacientes: quando chove, quando troveja, quando relampeja, etc. nos sentimos tépidos, impotentes diante das forças da Criação.


Texto Bíblico original


          No curso divino da História trouxemos para nós o papel de seres racionais e nos "diferimos" dos demais animais, nos colocamos  numa estática posição de supremacia, muito embora saibamos que dependemos de tudo e de todos  que compõe a cadeia biológica. Muitas Escrituras Sagradas consolidaram essa história, porém pouquíssimas pessoas tiveram a coragem de deixar bem claro que a única diferença  dos outros animais não passa de que conseguimos organizar ou desorganizar a natureza, a isto, atávicos chamamos de razão.
           Desenvolvemos males seculares, investimos muito mais no belicismo do que na alimentação e educação, gastamos nossa extraordinária capacidade de realizações ao contrário, em nosso inato desfavor,  defenestrando a exploração do homem pelo homem, apesar da dissimulação.  Na verdade vivemos dando silentes tiros nos próprios pés. A vida inteira descartamos nossos ancestrais que nos legaram um mundo um pouco sempre menos ruim, tratamos os antepasados com desdém, só porque não tinham nossos mais que falsos artigos de "avanços" tecnológicos.
          Sabemos que nada se repete debaixo do Sol, entretanto, quantas centenas de milhares de seres humanos ainda relutam em ser conservadores, reacionários, num absoluto atestado de irracionalidade, todavia posam de escorreitos e fazem a desfervescência do processo histórico.


Marca a hora o relógio; mas, o que marca a eternidade?
Walt Whitman


            Dos sem-número de filósofos que discutiram a Existência, não restou senão a ambivalência do existir ou não existir, enquanto sabemos com convicção que a única certeza é a morte, processo natural decorrente da própria vida, nossa maior modificação: Apenas física?   Ao morrermos com o padecimento do corpo, o que se dará com as outras dimensões?  Espírito e Alma. O corpo se alimenta do pão, e na falta deste, falece. E o espírito se alimenta como? Como você alimenta sua Alma? Saia da clausura e deixe de ser semicerrado, antes seja perene mental em contraponto do ilícito petrificado e questione-se nas profundezas d'alma: Como você alimenta? O espiríto e a alma vivem de quê?!?



SOMENTE A PARTIR DE 1960  O HOMEM FICOU SABENDO DA EXISTÊNCIA DE OUTRAS GALÁXIAS



            Também continuaremos com a mesma absurda ignorância do significado de vivermos.  Qual a razão de vivermos sob  bilhões de astros?  Mas não somos reclusos.  Será por esta razão que os seres humanos trânsfugam em prolíferas tergiversações? São as angustiantes inteligíveis questões de simplesmente não conhecerem o inatingido, o inusitado...de não saberem ao certo a cromaticidade e a linearidade fúnebres da morte.


A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nos enquanto vivemos.
Pablo Picasso





         


          Visceral me torno ao pensar sobre a morte... a morte não é senão a própria vida na mais sublime forma de existir, jamás entenderemos tudo aquilo que não nos compete. Ora se não entendemos absolutamente nada sobre como se dá a vida, quanto mais sua mais petrificada amorfa pudica e infindável rutilância, a morte.




Hoje sabe-se que existem mais de 100 bilhões de galáxias



           Morrer, na verdade, é nascer para os céus. Estar cintilante, numinoso, alado...ser inexistente na sépia imagem fotográfica, e  impune puder sentar no banquete celestial e ver a luz dos olhos do Amor.




Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
Os nomes, embora mais resistentes do que a carne, rendem-se ao poder destruidor do tempo, como as lápides.
Manuel Bandeira






Olinda,  maio de  2011



    

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