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terça-feira, 24 de maio de 2011

VERSOS DE MAIO - O SENHOR

 

Se vivermos durante muito tempo, descobrimos que todas as vitórias, um dia, se transformam em derrotas.
Simone de Beauvoir

Ví um homem caminhado a tarde quando o céu estava mesclado entre o azulado e o róseo,
prenunciava-se o início da noite mística trazendo consigo chuva passageira,
o homem prosseguia andando sem altivez mas cheio de castidade, continuava sua ação, refletia.
Pensava sem cessar,  personificando incongruências, ideias quiméricas lhe aturdiam,
seus passos porém permitiam a contemplação de uma noite densa, cheia de magia, assim se tornava ousado.
Um sem-fim pensamental lhe conduzia autômato, entretanto algo lhe permitia gostar de estar  naquela trajetória.



Refletia, pensava no conforto da sua casa, às vezes quisera retornar mas sua ótica imaginária dava-lhe advinhações,
todavia ficava crasso, cheio de bizatinices, sem contudo parar de andar na noite embaçada, embora abrandava o pensamental ser e continuava empurrado por entendível caminhada. Solitário como um monge recém-saído ia pela rua, qualitativo, filosófico, transcedental, seu raciocínio não parava, queria etimolologizar o pensativo no espírito. A noite entrava em respingos perdidos dentro da virtude natural, destarte o homem não parava, sua andança era quase de um pantólogo. Impávido, inaudito e incansável; o turbilhão na  mente confundia-se.
Sentiu  alojado no coração o amor divino, enxergou a santidade que lhe acompanhava. Ficou sacrário ao perceber quem lhe acompanhava...
          Na verdade na verdade ele caminhava soletrando um poema, apenas um poema, de trás p'ra frente, de frente p'ra trás:
 
 
"Parem os relógios
Cortem o telefone
Impeçam o cão de latir
Silenciem os pianos e com um toque de tambor tragam o caixão
Venham os pranteadores
Voem em círculos os aviões escrevendo no céu a mensagem:
"Ele está morto"

Ponham laços nos pescoços brancos das pombas
Usem os policiais luvas pretas de algodão.

Ele era meu norte, meu sul, meu leste e oeste.
Minha semana de trabalho e meu domingo
Meu meio-dia, minha meia-noite.
Minha conversa, minha canção.

Pensei que o amor fosse eterno, enganei-me.
As estrelas são indesejadas agora, dispensem todas.

Embrulhem a lua e desmantelem o sol
Despejem o oceano e varram o bosque
Pois nada mais agora pode servir."
W.H. Auden





Se você ama alguma coisa ou alguém , deixe que parta. Se voltar é porque é seu , se não é porque jamais seria .
William Shakespeare




Olinda   maio   2011




      A NOITE, O HOMEM E O MOSTEIRO



IMAGENS PELA ORDEM:

Maurício Silva
José de Barros

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