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terça-feira, 24 de maio de 2011

VERSOS DE MAIO - O MILAGRE DOS PEIXES








Recôndita espécie habita nas profunidades oceânicas
Bem lá  bem no fundo,  em insólito lugar, alguém nem precisa vir à borda para saber o que ocorre na terra dos mortais.
Nas fossas abissais, onde nem sequer a luz solar jamais chegou.
Arabescos, Talmudes, Torás, Alcorões, Bíblias e um sem fim de Sagradas Escrituras jazem alí.
O Cosmos em movimento prossegue enquanto a vida submarina continua absorta.
É abstruso mesmo entender-se o que se passa  naquelas profundezas,
grandes quantidades de cálcio, idênticas matérias da formação metereolítica se encontram lá,
e não adianta metonímia, pois trata-se de exatidão: O mesmo cálcio que vem dos céus se acha nas fossas abissais.

A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais.
Dostoievski


Contudo a vida lá, mesmo sem luz solar, prossegue indiferente, deixando atemporal o que será espraiado.
O espólio debaixo do mar todavia não é inerte, nem latente, ele guerreia sempre.
O instinto inato é nascituro. Perspéctico prepara-se à quinta-essência e a fúria é certa.
A révora é como agulha magnética em busca do mimetismo que será, inevitavelmente, alvo.
Composições prosseguem à tona, enfemérides e congratulações dos pseudovencedores erguidos a custa da mísera vaidade humana soerguida pelo psiquismo sofrível e amedrontado pelo povir da hégira.
Não são as imagináveis ostentações dos obuzes, da força do homem, dos povos; quem ordena o fundo do mar.
A praia prossegue todos os dias em busca dela própria.

Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.
Machado de Assis


O sal da terra e o sal da água juntam-se ao sal das lágrimas.
Onde está o amor?
Os peixes conhecem a humanidade e choram.


Amar e ser feliz é puder estar diante do mar.




Olinda, 12  maio de  2011

  OS PEIXES CONHECEM A HUMANIDADE E CHORAM






IMAGENS PELA ORDEM: 

José Barbosa
Zé Som

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